12 de março de 2026

Impedida de tomar depoimentos, CPMI do INSS convoca cunhado e ex-noiva de Vorcaro

"Estamos enfrentando obstáculos imensos para concluirmos nosso trabalho na CPMI do INSS dentro do prazo estabelecido", disse a senadora Tereza Cristina.

Impedida, por medidas judiciais, de tomar uma série de depoimentos já agendados, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira, 12/03, as convocações de Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro, e da modelo e influenciadora Martha Graeff, ex-noiva do dono do Banco Master.

Além disso, a CPMI aprovou ainda requerimentos para a convocação de Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do Master, e de Luiz Antônio Bull, ex-diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia do banco.

Foram cancelados nesta quinta-feira quatro depoimentos previstos para ocorrer na CPMI. Estavam agendadas as oitivas da presidente do Palmeiras e do Banco Crefisa, Leila Pereira, e do CEO do Banco C6 Consignado S.A., Artur Ildefonso Brotto Azevedo.

Leila Pereira e Artur Ildefonso Brotto deporiam na condição de testemunhas, mas uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino dispensou ambos de comparecerem ao colegiado na data prevista. Esses depoimentos foram remarcados.

O colegiado também ouviria a diretora de Tecnologia da Informação do INSS, Lea Bressy Amorim, e o tesoureiro da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Paulo Gabriel Negreiros de Almeida. 

Na quarta-feira, 11/03, já havia sido cancelada a sessão da CPMI que ouviria Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. O STF facultou seu comparecimento por Lima ser considerado investigado e, nessa condição, não pode produzir provas contra si.

“Estamos enfrentando obstáculos imensos para concluirmos nosso trabalho na CPMI do INSS dentro do prazo estabelecido”, disse a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que integra o colegiado. “Não podemos aceitar a interferência de outros Poderes nas nossas decisões legislativas. É inadmissível qualquer tipo de blindagem a quem desviou recursos dos aposentados”, criticou a senadora.

Ela lembrou que “há pessoas essenciais para serem ouvidas e requerimentos já aprovados que precisam ser cumpridos”. “Com tantos atrasos, não haverá tempo para terminarmos até o dia 28. A prorrogação da CPMI do INSS pode ser necessária. Vamos conduzir essa reta final com serenidade, mas exigindo respeito à autonomia do Parlamento”, completou Tereza Cristina.

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), se reuniram essa semana com o ministro do STF André Mendonça, relator do caso Master. Ficou decidido que o recurso da CPMI contra a decisão de Mendonça – que também facultou a ida de Daniel Vorcaro ao Congresso -, será julgado na próxima reunião da Segunda Turma do STF.

A CPMI do INSS também está contestando a decisão do ministro Flávio Dino de suspender a quebra de sigilo do Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula. Lulinha, como é conhecido, é investigado pela Polícia Federal (PF) por supostas relações com o Antônio Camilo Antunes, o “Careca do INSS” – empresário preso sob acusação de liderar boa parte do esquema de fraude e desvios de descontos dos aposentados e pensionistas.

Não foi aprovada a convocação da empresária Roberta Moreira Luchsinger, identificada como próxima a Fábio Luís e que também conheceria o “Careca do INSS”. A oposição também não conseguiu chamar para depor Edson Claro Medeiros Júnior, ex-funcionário de Antunes. “A base do governo continua blindando investigações, impedindo que se chegue à verdade completa sobre o roubo no INSS . Temos de apurar tudo, doa a quem doer”, disse Tereza Cristina.

Com informações da Agência Senado