6 de novembro de 2025

CPMI do INSS fará mais 8 depoimentos até dezembro

"Nós não vamos parar; vamos ouvir todos os citados e levar a investigação até o fim", prometeu Tereza Cristina (PP-MS), que integra a CPMI.
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Foto: Andressa Anholete/Agência Senado|Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) promove audiência pública para instruir o PL 1.217/2025

A CPMI do INSS ouviu nesta quinta-feira Onyx Lorenzoni, ex-ministro do Trabalho e da Previdência entre 2021 e 2022. Ele confirmou ao relator, Alfredo Gaspar (União-AL), ter recebido do empresário Felipe Macedodo Gomes, envolvido nas denúncias, R$ 60 mil para sua campanha ao governo do Rio Grande do Sul em 2022, mas negou qualquer relação indevida pelo exercício do cargo de ministro da Previdência.

“Essa relação maliciosa de causa e efeito inexiste; nunca vi esse cidadão e nunca pedi dinheiro para bandido”, afirmou Onix, acrescentando que suas contas eleitorais foram aprovadas.

Em uma de suas primeiras decisões, a CPMI decidiu ouvir todos os ex-ministros da Previdência e ex-diretores do INSS a partir de 2015.

Na segunda-feira, foi ouvido o depoimento do presidente da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), Abraão Lincoln Ferreira, que terminou preso em flagrante por falso testemunho. A entidade recebeu mais de R$ 200 milhões de descontos do aposentados e pensionistas.

A comissão aprovou ainda a realização de acareação entre o advogado Eli Cohen e o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

“Nós não vamos parar; vamos ouvir todos os citados, pois é nosso dever, e levar a investigação até o fim”, prometeu Tereza Cristina (PP-MS), que integra a CPMI.

Próximos Depoimentos

A última reunião da CPMI em 2025 será no dia 4 de dezembro. Foram marcados pelo menos mais oito novos depoimentos.

Na segunda-feira, 10/11, CPMI ouvirá Igor Dias Delecrode, ex-presidente da Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista (Aasap). Segundo as investigações da Polícia Federal, a entidade teria movimentado irregularmente milhões de reais obtidos por meio de descontos indevidos em benefícios previdenciários. 

De acordo com os requerimentos aprovados na comissão, Delecrode faria parte do grupo conhecido como “jovens ricaços”, que mantém quatro entidades investigadas nas irregularidades: a Aasap, a Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), a Master Prev e a Associação Nacional de Defesa dos Direitos dos Aposentados e Pensionistas (Anddap).

Na quinta-feira, 13/11, está agendado o depoimento de André Paulo Felix Fidelis, ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

Nas semanas seguintes, estão previstos os seguintes depoimentos:

  • 17/11: Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador-geral de Pagamentos e Benefícios do INSS;
  • 18/11: Cecília Rodrigues Mota, investigada pela PF como presidente de fachada de algumas associações que, segundo as investigações, teriam sido usadas no esquema de fraude;
  • 24/11: Danilo Berndt Trento e Vinícius Ramos da Cruz. Segundo a PF, o empresário Trento teria atuado em conjunto com o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio de Oliveira Filho para desviar dinheiro das aposentadorias. Cruz é cunhado do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer); 
  • 27/11: Mauro Palombo Concílio, contador de diversas empresas suspeitas de envolvimento nas fraudes;
  • 1º/12:  Wolney Queiroz, ministro da Previdência;
  • 4/12: Aristides Veras dos Santos, presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores na Agricultura (Contag). 

Prisão

Os parlamentares também aprovaram pedidos de prisão preventiva para quatro pessoas:

Os passaportes de todos aqueles com prisão pedida pela CPMI podem ser retidos pela Justiça (REQ 2.184/2025 – CPMI do INSS).

Consignado

A comissão também receberá da Controladoria-Geral da União (CGU) informações sobre acordos firmados entre bancos e o INSS para permitir créditos consignados, outra frente de investigação da comissão parlamentar mista de inquérito (REQ 2.088/2025 – CPMI do INSS). Na modalidade, o aposentado recebe um empréstimo bancário e paga as parcelas automaticamente, com desconto direto na aposentadoria.

Quebra de sigilo

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que investiga movimentações financeiras suspeitas, deverá enviar mais 130 relatórios de inteligência financeira (RIF) à comissão. O documento revela dados bancários e fiscais sigilosos de seus alvos. 

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), disse que as investigações conduzidas pelo colegiado entram neste momento na sua fase mais importante: a de apurar e identificar o núcleo político criminoso que deu sustentação para que as fraudes em descontos previdenciários ocorressem durante vários governos.

“Nós estamos entrando na fase mais delicada, porque as operações, os depósitos, tudo isso já está muito bem delineado. Hoje se a gente quisesse acabar com a CPMI e fazer um relatório apontando quem roubou, nós já poderíamos fazer. Quando a gente senta e analisa, nós já temos aqui todo o núcleo criminoso operativo. Mas cadê o núcleo criminoso político? Cadê aqueles que indicaram? E eles receberam o quê pelas indicações para manter essas pessoas roubando os aposentados?”, questionou.

Com informações da Agência Senado