A CPMI do INSS ouviu nesta terça-feira, 28/10, os depoimentos do empresário Domingos Sávio de Castro e do piloto Henrique Traugott Binder Galvão.
Vários requerimentos aprovados pelo colegiado requisitaram o depoimento de Domingos Sávio de Castro. Segundo o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), o empresário tem relações financeiras com entidade associativa que teria enviado valores a Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Castro seria sócio e ex-sócio de empresas como a DM&H Assessoria Empresarial e Corretora de Seguros LTDA., que teria repassado milhões a Antunes. Ele também seria sócio do Careca do INSS na ACDS Call Center.
Além disso, segundo requerimentos, investigações sobre a fraude apontam que Castro seria procurador da Associação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas da Nação (Abapen) e teria recebido da Associação Brasileira dos Contribuintes do Regime Geral da Previdência Social (Abrasprev) a quantia de R$ 540,5 mil. Amparado por habeas corpus, ele não respondeu as perguntas e negou as acusações.
Gaspar disse que Castro aparece conectado a empresas e entidades que teriam obtido valores elevados por meio de acordos de cooperação técnica com o INSS, sem contrapartida de serviços aos beneficiários. “Estamos diante de R$ 500 milhões roubados de aposentados e pensionistas”, afirmou o relator Gaspar.
“Continuamos investigando em busca da verdade dos fatos e já identificamos como o esquema de desvios do dinheiro dos aposentados foi montado”, resumiu a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que integra a CPMI.
Voos
Já Henrique Traugott Binder Galvão foi ouvido pelos senadores e deputados por ser um dos pilotos que mais fez voos em aeronaves ligadas a Silas da Costa Vaz, vinculado à Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), que é investigada no escândalo do INSS.
Por ter conhecimento de quem utilizava as aeronaves como passageiro, o piloto poderia “oferecer informações relevantes sobre possíveis conexões com práticas fraudulentas que afetaram milhões de aposentados e pensionistas”, disse o relator Alfredo Gaspar. O piloto, que é ex-funcionário comissionado da Câmara dos Deputados, disse, entretanto, não ter lista de passageiros e negou conhecer os citados.
Na segunda-feira, 27/10, a CPMI já havia interrogado o economista Alexandre Guimarães, ex-diretor de Governança do INSS entre 2021 e 2023. Ele admitiu ter mantido negócios com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como chefe do esquema.
De acordo com as investigações da Polícia Federal (PF), o ex-diretor teria recebido mais de R$ 2 milhões por meio de transações entre as empresas Vênus Consultoria, da qual é proprietário, e a Brasília Consultoria e a Prospect, pertencentes ao “Careca”. Guimarães também negou irregularidades e disse que “apenas prestou serviços” à empresa do “Careca do INSS”.
Com informações da Agência Senado




