18 de março de 2026

Senado avalia efeitos da guerra do Irã

Respondendo a Tereza Cristina, chanceler Mauro Vieira afirmou, em audiência na CRE, que a guerra já causa "desequilíbrio e transtornos" em todo o mundo

O Brasil vai sentir o impacto da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, não apenas pelo aumento do preço do petróleo, mas também pela interrupção de comércio na região do Golfo Pérsico, que provoca escassez de produtos, de energia, além de “desequilíbrio e transtornos em todo o mundo”. A avaliação é do chanceler Mauro Vieira, em resposta a uma pergunta feita pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), durante reunião da Comissão de Relações Exteriores (CRE).

O chanceler destacou ainda o problema da importação de fertilizantes – já que o Oriente Médio é o quarto maior fornecedor desses insumos para a agricultura brasileira, que está muito longe da autossuficiência nesta área. “A questão dos fertilizantes é complexa”, disse o ministro das Relações Exteriores. Ele defendeu ” diversificar os nossos fornecedores”, e negociar, por exemplo, com a Bolívia, grande produtor de ureia, países africanos da costa do Atlântico, além da região do Azerbaijão.

Mauro Vieira disse ainda que o Brasil defende a “livre navegação” e que a decisão do Irã de retaliar fechando a passagem pelo Estreito de Ormuz prejudica um fluxo estimado em 250 navios por dia. Os exportadores brasileiros, que enviam para a região sobretudo de frango e grãos, estão tendo de buscar rotas alternativas.

“Essa guerra que começou como de curtíssimo prazo já se estende aí por um mês e traz consequências para o comércio”, afirmou Tereza Cristina. “Os outros países do Oriente Médio, que se envolveram nessa guerra sem querer, por serem aliados (dos Estados Unidos), estão hoje tomando bomba. Estamos vendo o que ocorre nos Emirados Árabes, na Arábia Saudita, agora no Líbano. Enfim, é muito sério o que acontece hoje e gostaríamos de saber a visão do Itamaraty”, disse a senadora, que é vice-presidente da CRE.

O chanceler respondeu que o Itamaraty viu com “grande surpresa” a ação militar dos Estados Unidos e de Israel porque as negociações com o Irã estavam em curso e bem encaminhadas. “Conversei com os representantes do Omã, intermediadores das negociações, e eles também se mostraram totalmente surpresos”, relatou Vieira.

O ministro fez um rápido histórico dos acordos para não-proliferação de armas nucleares fechados com Irã. Ele destacou que, em 2010, Brasil e Turquia atuaram, com sucesso, como intermediadores a pedido dos EUA, e que um novo acordo foi fechado em 2015, mas que, mais recentemente, as tratativas foram interrompidas. “O problema é que uma das partes se retirou da mesa”, disse, referindo-se aos norte-americanos.

Ele relatou que, logo após os primeiros bombardeios, o Itamaraty se mobilizou para dar assistência consular aos nacionais que vivem na região e para permitir que cerca de 8 mil brasileiros, em trânsito por Dubai, Catar e Bahrein, saíssem das áreas de risco por terra, via Arábia Saudita – e, a partir daí, voassem para fora do Oriente Médio.