29 de setembro de 2025

Relator da CPMI do INSS vai pedir prisão preventiva para gestor da Conafer

"Os lesados são idosos, agricultores familiares, indígenas, ribeirinhos, os mais vulneráveis, vítimas de um esquema bilionário. Na CPMI, vou até o fim para responsabilizar quem quer que seja", disse a senadora.

A CPMI do INSS ouviu nesta segunda-feira, 29/09, o depoimento de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer).Ao fim do depoimento, de madrugada, Lopes foi preso em flagrante, pagou fiança e saiu em liberdade. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL) disse que pedirá agora a prisão preventiva de Carlos Lopes.

Foi o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), quem determinou a prisão em flagrante. O senador alegou que Lopes mentiu ao colegiado, mesmo após ter se comprometido a falar a verdade. “Ele mentiu deliberadamente à CPMI. Ele tentou de todas as maneiras nos convencer de que se tratava de uma operação perfeitamente legal e correta. Não é, nós sabemos muito bem que isso é lavagem de dinheiro, dinheiro dos aposentados”, afirmou.

A Conafer, controlada pela família Lopes, está entre as entidades com maior volume de descontos nas mensalidades de aposentados, segundo investigação da Polícia Federal (PF). Segundo o relator, “a Conafer arrecadou no INSS mais de R$ 800 milhões em cinco anos e parte considerável desse dinheiro, cerca de R$ 150 milhões, foi direcionado a Cícero Marcelino, que era seu sócio”. “Mais do que isso, há várias relações escusas a serem esclarecidas. A amostragem da CGU revelou que 100% dos aposentados supostamente associados à Conafer não reconheceram autorização para desconto associativo”, acrescentou Alfredo Gaspar.

“O depoente veio aqui para não se autoincriminar, mas os dados da CPMI são suficientes para mostrar que a Conafer meteu a mão grande no dinheiro dos aposentados e pensionistas”, concluiu o relator. Com ironia e respostas debochadas aos parlamentares, Carlos Lopes negou todas as denúncias e disse que “a Conafer faz um trabalho em prol dos brasileiros em mais de 2 mil municípios”.

Foi o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), quem determinou a prisão em flagrante. O senador alegou que Lopes mentiu ao colegiado, mesmo após ter se comprometido a falar a verdade. “Ele mentiu deliberadamente à CPMI. Ele tentou de todas as maneiras nos convencer de que se tratava de uma operação perfeitamente legal e correta. Não é, nós sabemos muito bem que isso é lavagem de dinheiro, dinheiro dos aposentados”, afirmou.

A senadora Tereza Cristina (PP-MS), que integra a CPI, destacou que Carlos Lopes, via Conafer, tentou assinar uma parceria com o Incra, em novembro de 2024, e também obteve nomeação, pelo Ministério da Agricultura, já no governo Lula, para o comitê gestor do Matopiba – nomeação essa ocorrida um dia antes da Operação Sem Desconto, da PF. “O depoente manteve-se em postos estratégicos do governo Lula mesmo depois das denúncias contra a Conafer”, explicou Tereza Cristina.

Tereza lembrou ainda que a Conafer seguiu cadastrando associados mesmo após ter sido determinado o o bloqueio dos descontos do INSS. “O que estamos revelando na CPMI do INSS é gravíssimo! Milhares de aposentados da zona rural — gente simples, que trabalhou a vida inteira no campo — foram roubados por descontos ilegais em seus benefícios”, reafirmou a senadora.

“Estamos falando de idosos, agricultores familiares, indígenas, ribeirinhos… exatamente os mais vulneráveis, vítimas de um esquema bilionário”, acrescentou Tereza Cristina. “Na CPMI, vou até o fim para responsabilizar quem quer que seja. Já fizemos 21 pedidos de prisão e vamos continuar até punir todos os responsáveis”, concluiu.

Depoimento adiado

O depoimento de Fernando Cavalcanti, inicialmente previsto para essa segunda-feira, foi adiado. Ele é apontado como ex-sócio do advogado Nelson Wilians Rodrigues, cuja prisão preventiva foi aprovada pela CPMI. Cavalcanti também teria ligação com Antônio Carlos Camilo Antunes.

“Sua participação em estruturas societárias relacionadas a Nelson Wilians e sua proximidade com o ambiente empresarial de Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’, justificam sua convocação como testemunha, diante das investigações sobre as fraudes no INSS”, afirma o requerimento assinado por Alfredo Gaspar. O depoimento de Cavalcanti deverá ocorrer na próxima sessão da CPMI.

Com informações da Agência Senado